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Insights

Perfil falso no Instagram: o que fazer em 6 passos, das provas à Justiça

Pessoa vista de costas, deitada diante de uma janela à noite, olhando a tela acesa do celular

Se alguém criou um perfil falso no Instagram com o seu nome ou para atacar você, faça nesta ordem: guarde as provas, denuncie o perfil pelo motivo certo, avise seus contatos e, se houver crime, registre um boletim de ocorrência. Se o perfil não cair ou voltar com outro nome, o caminho é a Justiça. Desde a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o Marco Civil da Internet, a plataforma que recebe a denúncia de uma conta não autêntica, como a que se passa por você, e não a remove pode responder pelos danos junto com quem a criou.

O primeiro passo é o que não pode esperar. Quem denuncia antes de guardar as provas pode ficar sem nada para mostrar se o perfil for apagado.

Qual é o seu caso: três tipos de perfil falso

O que fazer muda um pouco conforme a situação. Veja em qual delas você está:

  • Um perfil se passa por você. Usa o seu nome, as suas fotos e às vezes a sua profissão. Pode seguir seus amigos, mandar mensagens em seu nome ou publicar coisas que você nunca diria.
  • Um perfil anônimo ataca você. Tem nome inventado ou só um @ e existe para acusar, ofender, expor ou perseguir você. Às vezes comenta em tudo o que você publica ou escreve para as pessoas próximas de você.
  • Um perfil usa o seu nome para pedir dinheiro. É golpe. Além dos passos abaixo, avise os contatos com urgência e veja o guia WhatsApp clonado: o que fazer, que trata do mesmo golpe no WhatsApp.

1. Não interaja e guarde as provas antes de denunciar

Não comente, não responda às mensagens do perfil e não peça explicações. Discussão em público dá visibilidade ao ataque e pode fazer o autor apagar tudo. Deixe para bloquear depois de registrar o que existe.

Guarde agora:

  • o link completo do perfil e o nome de usuário (o @);
  • capturas de tela da página do perfil, de cada publicação, story, comentário e mensagem, com data e hora visíveis;
  • o link de cada publicação e de cada comentário;
  • uma gravação da tela rolando o perfil;
  • as capturas que amigos e familiares receberam do perfil.

Salve uma cópia fora do celular. Se o conteúdo é grave, um tabelião pode registrar o que aparece na tela em uma ata notarial, um documento público em que ele atesta o que viu (artigo 384 do Código de Processo Civil). O guia como descobrir quem criou um perfil fake traz a lista completa do que guardar e explica por que a pressa importa: a rede social só é obrigada a manter os registros de acesso do perfil (data, hora e endereço IP de cada acesso) por 6 meses.

2. Denuncie o perfil pelo motivo certo

A denúncia funciona melhor quando o motivo escolhido descreve o que o perfil faz. No Instagram, são dois caminhos principais:

  • Se o perfil finge ser você: denuncie o perfil por estar se passando por você, no próprio aplicativo ou pela página de denúncia da Central de Ajuda do Instagram. O Instagram pede que você envie todas as informações solicitadas, incluindo uma foto de um documento de identidade emitido pelo governo. Se você não tem conta no Instagram, a mesma página explica como entrar em contato para denunciar.
  • Se o perfil existe para atacar você: denuncie a conta, as publicações e os comentários por assédio ou bullying. O Instagram orienta denunciar quando uma conta é criada com a intenção de assediar ou praticar bullying contra alguém, e diz que depois da denúncia você pode bloquear a pessoa.

A denúncia é anônima: segundo o Instagram, a conta denunciada não vê quem a denunciou. A plataforma não informa prazo para analisar, e a denúncia não garante a remoção.

3. Peça aos amigos provas, não um mutirão de denúncias

É comum a vítima pedir que dezenas de amigos denunciem o perfil. Quando o problema é falsificação de identidade, isso não adianta: o Instagram diz que responde somente às denúncias feitas pela pessoa imitada ou pelo seu representante, como o pai, a mãe ou o responsável. Se o perfil se passa por um amigo seu, o certo é avisá-lo para que ele mesmo denuncie.

Amigos ajudam de outra forma: guardando as capturas do que receberam e contando a você quando o perfil fizer contato com alguém.

4. Avise seus contatos, sem acusar ninguém

Publique um aviso no seu perfil verdadeiro ou nos stories e mande mensagem às pessoas mais próximas. Um exemplo: "Existe um perfil falso usando o meu nome e as minhas fotos (@nome_do_perfil). Ele não é meu. Não aceite, não responda e não envie dinheiro. Se ele escrever para você, me mande a captura."

Não diga quem você acha que criou o perfil. Mesmo que você esteja certo, acusar alguém em público sem prova pode levar a um processo por calúnia ou difamação, e nas redes sociais a pena desses crimes é aplicada em triplo (artigo 141, parágrafo 2º, do Código Penal). Leve a suspeita ao boletim de ocorrência e ao advogado. Se o perfil fala da sua empresa, avise também os clientes pelos canais oficiais.

5. Registre o boletim de ocorrência quando houver crime

Criar um perfil falso não é crime por si só, mas o uso que se faz dele pode ser. Usar a sua identidade para obter vantagem ou causar dano a você pode ser falsa identidade (artigo 307 do Código Penal). Acusar você de um crime que não cometeu é calúnia (artigo 138). Espalhar fatos que ofendem a sua reputação é difamação (artigo 139). Ofender a sua dignidade é injúria (artigo 140). Perseguir você de forma repetida é o crime de perseguição (artigo 147-A). Usar o perfil para enganar pessoas e tirar dinheiro é fraude eletrônica (artigo 171, parágrafo 2º-A). O guia perfil fake é crime? explica cada caso e as penas.

Registre o boletim em uma delegacia, ou pela internet se o seu estado aceitar esse registro on-line, com o link do perfil e as provas. Nos crimes contra a honra, em regra, a polícia só investiga se a vítima pedir (artigo 5º, parágrafo 5º, do Código de Processo Penal). Escreva no boletim que você quer que a autoria do perfil seja investigada e peça que a polícia solicite à plataforma a guarda dos registros do perfil por mais tempo (artigo 15, parágrafo 2º, do Marco Civil da Internet).

6. Se o perfil não cair ou voltar, vá à Justiça

Em junho de 2025, o STF decidiu que a regra que só permitia responsabilizar a plataforma quando ela descumpria uma ordem judicial (artigo 19 do Marco Civil) é parcialmente inconstitucional. A redação final da tese, que todos os juízes têm de seguir, foi fixada em 17 de junho de 2026 e vale desde 5 de agosto de 2025. Por ela, a plataforma responde pelos danos, junto com o autor, quando deixa no ar uma conta denunciada como não autêntica, salvo se demonstrar, depois de analisar o caso com cuidado, que havia dúvida razoável sobre a irregularidade.

A tese não define o que é conta não autêntica. O caso mais claro é o perfil que se passa por você. Se o perfil tem nome inventado e só publica ofensas, pode valer a regra da honra, explicada a seguir.

Para publicações que ofendem a honra, a regra continua sendo a ordem judicial: a plataforma pode remover depois de uma notificação, mas só é obrigada a indenizar se descumprir uma decisão do juiz. Se a Justiça já reconheceu que um conteúdo é ofensivo e ele volta a ser publicado, as redes sociais têm de remover as cópias idênticas a partir de uma simples notificação.

Um dos dois casos que o STF julgou era justamente de perfil falso. O Tribunal de Justiça de São Paulo tinha mandado o Facebook excluir o perfil e pagar indenização por danos morais, e o STF manteve essa decisão.

Na ação, o advogado pode pedir a remoção, a indenização e, no mesmo processo, que a plataforma entregue os registros de acesso do perfil, para chegar ao autor (artigo 22 do Marco Civil).

Causas sobre remoção e indenização por conteúdo que atinge a sua honra, a sua reputação ou outros direitos de personalidade, como o uso do seu nome e da sua imagem, podem ir ao Juizado Especial (artigo 19, parágrafo 3º). O Juizado julga causas de até 40 salários mínimos. Até 20 salários mínimos, você pode entrar sem advogado, mas para recorrer o advogado é obrigatório (artigos 3º, 9º e 41 da Lei 9.099/1995). Se a ação for contra o autor, ele precisa estar identificado e com endereço conhecido, porque o Juizado não faz citação por edital, o aviso publicado quando não se sabe onde o réu está (artigo 18, parágrafo 2º). O passo a passo está em como processar um perfil fake mesmo sem saber quem é.

Quando uma investigação ajuda e quando não precisa

Se o perfil saiu do ar depois da denúncia e não chegou a atacar ninguém, você não precisa de investigação. Guarde as provas: se o perfil voltar, você vai precisar delas.

A investigação digital (OSINT) faz sentido quando o perfil volta com outro nome, quando os ataques se repetem, quando o conteúdo atinge o seu trabalho, a sua família ou a sua empresa, ou quando o pedido de dados à plataforma não basta para chegar ao autor. A apuração é feita em fontes abertas, por métodos lícitos, e o resultado é um relatório com as provas preservadas, que o seu advogado pode usar no pedido ao juiz e na ação.

Perguntas frequentes

Como derrubar um perfil falso no Instagram?

Denuncie a conta pelo motivo certo: como conta que se passa por você, enviando a foto do documento de identidade pedida pelo Instagram, ou por assédio e bullying, se ela existe para atacar você. Se o perfil se passa por você e continua no ar depois da denúncia, a plataforma pode responder pelos danos. Em qualquer caso, o advogado pode pedir a remoção na Justiça.

Meus amigos podem denunciar o perfil falso por mim?

Para falsificação de identidade, não adianta: o Instagram responde somente às denúncias feitas pela pessoa imitada ou pelo seu representante, como pai, mãe ou responsável. Seus amigos ajudam guardando as capturas do que o perfil enviou a eles e avisando você quando ele fizer contato.

O Instagram avisa a pessoa que eu denunciei?

Não. Segundo a Central de Ajuda do Instagram, a denúncia é anônima, exceto quando trata de propriedade intelectual, e a conta denunciada não vê quem fez a denúncia.

Fizeram um perfil fake meu. Isso é crime?

Depende do uso. Usar a sua identidade para obter vantagem ou causar dano pode ser falsa identidade, e os ataques podem ser calúnia, difamação, injúria, ameaça ou perseguição. Mesmo quando não há crime, o uso indevido do seu nome e da sua imagem pode gerar indenização na Justiça cível (artigos 17 e 20 do Código Civil).

Quanto tempo tenho para agir?

Aja logo. A rede social só é obrigada a guardar os registros de acesso do perfil por 6 meses. Para processar o autor por crime contra a honra, você tem 6 meses a partir do dia em que souber quem ele é (12 meses em violência doméstica contra a mulher, em regra para crimes cometidos a partir de 19 de junho de 2026). A queixa é apresentada pelo seu advogado, e o boletim não interrompe esse prazo. A ação de indenização, em regra, precisa ser proposta em até 3 anos.

Fontes

O conteúdo tem finalidade informativa e não constitui aconselhamento jurídico. Regras, prazos e telas do Instagram podem mudar: confirme na Central de Ajuda do Instagram, na fonte oficial e com o seu advogado antes de decidir.

O perfil voltou ou os ataques continuam?

Envie o link do perfil e um resumo do que ele publicou. A equipe avalia o que pode ser apurado por fontes lícitas e apresenta o caminho e o orçamento.